© 2013 Publicações ocasionais com vistas à edificação do povo de Deus. Artigos na maioria traduzidos e usados com permissão, ou em domínio público.

EIS O VOSSO DEUS

23.02.2017

"São estas as palavras que Moisés falou a todo o Israel, dalém do Jordão, no deserto, no Arabá, defronte do Mar de Sufe, entre Parã, Tofel, Labã, Hazerote e Di-Zaabe. Jornada de onze dias há desde Horebe pelo caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia". (Dt 1:1) O escritor inspirado teve o cuidado de nos dar, da maneira mais precisa, a situação exata do local em que as palavras deste livro foram ditas aos ouvidos do povo. Israel ainda não tinha atravessado o Jordão; estava ao lado do rio e defronte do Mar Vermelho (Mar de Sufe), onde Deus, abrindo o mar, havia mostrado tão gloriosamente o Seu poder, fazia já perto de quarenta anos. A situação toda é descrita com uma particularidade tal que mostra até que ponto Deus entrava em cada detalhe do que se referia a Seu povo. Ele estava interessado em todos os seus movimentos e caminhos. Guardava um registro exato de todos os seus acampamentos. Não havia uma só circunstância ligada a eles que escapasse à Sua graciosa atenção, embora parecesse a mais insignificante. Ele cuidava de tudo. Seu olhar repousava continuamente sobre aquela assembleia como um todo e sobre cada membro em particular. De dia e de noite velava sobre eles. Cada fase da jornada estava sob a Sua imediata e mais graciosa superintendência. Nada, por pequeno que fosse, estava aquém da Sua atenção; e nada, por grande que fosse, estava além do Seu poder.

Assim foi com Israel no deserto, e assim é com a Igreja agora - a Igreja como um todo e cada membro em particular. Um olhar de Pai repousa sobre nós continuamente. Seus braços eternos estão em volta e debaixo de nós dia e noite. "Não apartará os seus olhos do justo". Ele conta os cabelos da nossa cabeça e entra com infinita bondade em cada detalhe do que nos concerne. Ele tomou sobre Si o encargo de todas as nossas necessidades e de todos os nossos cuidados; e quer que os lancemos todos sobre Ele, na doce certeza de que Ele tem cuidado de nós. Da maneira mais graciosa Ele nos convida a descarregarmos sobre Ele todos os nossos fardos, sejam grandes ou pequenos.

Tudo isso é maravilhosamente verdadeiro. Cheio da mais profunda consolação. Especialmente calculado para tranquilizar os nossos corações, venha o que vier. E nós? Cremos de fato que o onipotente Criador e Sustentador de todas as coisas, que sustém os pilares do universo, tenha graciosamente tomado sobre Si o fazer tudo por nós, através da nossa "caminhada"? Cremos plenamente, mesmo, que "o Possuidor do céu e da terra" é nosso Pai, e tomou sobre Si o encargo de todas as nossas necessidades, da primeira à última? Será que todo o nosso ser moral está possuído pelo poder daquela palavra inspirada do apóstolo: "Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?". Ah, receio que conheçamos muito pouco do poder destas verdades tão grandes e contudo tão simples. Nós falamos sobre elas, nós as discutimos, dizemos crer nelas e, nominalmente, as aceitamos. Se realmente cremos que Deus Se encarregou de todas as nossas necessidades - se estamos achando nEle todas as nossas fontes - se Ele está sendo o lugar de descanso do nosso coração, estaremos olhando para meras criaturas, como fontes, - as quais tão depressa se secam e desapontam os nossos corações?

Não acontece isso com você, leitor? Não é verdade que somos muito prontos a deixar a Fonte das águas vivas e a cavar para nós cisternas rotas, que não retêm as águas? E é de admirar que fiquemos desapontados? Como poderia ser de outra forma? O nosso Deus não suportará que dependamos de nada ou de ninguém, a não ser dEle mesmo. Em muitos lugares da Sua Palavra Ele nos deu o Seu juízo quanto ao verdadeiro caráter e resultado certo de toda confiança posta na criatura. Tomemos a tão solene passagem do profeta Jeremias: "Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como a tamargueira no deserto, e não sentirá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável". E notemos o contraste: "Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja força é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não deixa de dar fruto". (Jr 17:5-8)

Aqui vemos, em linguagem divinamente clara, enfática e linda, ambos os lados deste assunto de tanta importância que temos diante de nós. A confiança na criatura traz maldição certa; só pode resultar em desolação e esterilidade. Deus, em Sua fidelidade, fará com que toda fonte humana se seque e toda escora humana ceda, a fim de que aprendamos a total loucura de não nos apoiarmos nEle. Que figuras poderiam ser mais eloquentes e impressivas do que as usadas na passagem acima? "A tamargueira no deserto", "lugares secos", "terra salgada e inabitável". Tais são as figuras usadas pelo Espírito Santo para ilustrar toda mera dependência da criatura - toda confiança posta no homem.

Por outro lado, o que pode ser mais agradável e animador do que a figura usada para mostrar a profunda bem-aventurança da simples confiança no Senhor? "A árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro", a folha sempre verde, o fruto sempre constante. Que belo quadro! Assim é com o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor; que se nutre daquelas fontes eternas que manam do coração de Deus, bebendo daquele manancial que é de graça e comunica vida - o homem que acha todos os seus recursos no Deus vivo. Pode haver "calor", mas ele não o sofre; pode vir o "ano de sequidão", mas ele não está receoso. Milhares de fontes humanas à sua volta podem se-car-se, mas ele não o ressente, porque não depende delas - ele está na dependência da Fonte inesgotável. Bem algum jamais lhe pode faltar.

Ah, nós falhamos. Nossa fé é fraca, quando deveria ser forte, ousada e vigorosa. Nosso Deus tem prazer numa fé ousada. Se estudarmos os evangelhos, veremos que nada trazia tanto prazer ao coração de Cristo como uma fé ousada e simples – uma fé que O entendia e tomava largamente dEle. Vejamos, por exemplo, a mulher siro-fenícia, em Marcos 7 e o centurião, em Lucas 7. Sim, é verdade que Ele podia vir ao encontro de uma fé pequena - mesmo a mais fraca. Ele atendeu a um "Se quiseres" com um gracioso "Quero". A um "Se tu podes", com: "Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê". O mais tímido olhar, o mais débil toque encontravam sempre uma graciosa resposta. Mas o coração do Salvador ficava satisfeito e Seu espírito Se alegrava, quando Ele podia dizer: "Ó mulher! grande é a tua fé; seja isso feito para contigo co-mo tu desejas". E ainda: "Nem mesmo em Israel encontrei tanta fé".

Lembremo-nos disto: podemos ter certeza de que o mesmo é ainda hoje. O Senhor deleita-Se em que nos apoiemos nEle, em que contemos com Ele, em que tomemos dEle abundantemente. Nunca será demais o que esperamos do amor do Seu coração ou da força da Sua mão. Nada há pequeno demais nem grande demais para Ele. Ele tem todo o poder no céu e na terra. Ele é tudo para a Sua Igreja. Ele mantém em harmonia o universo - Ele sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Os filósofos falam das forças e leis da natureza: o crente pensa com prazer em Cristo, na Sua mão, na Sua Palavra, no Seu imenso poder. Por Ele todas as coisas foram criadas, e por Ele todas as coisas subsistem. E então, ainda, o Seu amor! Que descanso, que consolação, que gozo saber e recordar que o onipotente Criador e Sustentador do universo é Aquele que nos ama com amor eterno! Que Ele nos ama perfeitamente; que o Seu olhar está sempre sobre nós, o Seu coração, sempre voltado para nós; que Ele tomou sobre Si o encargo de todas as nossas necessidades, quaisquer que elas sejam: físicas, mentais ou espirituais! Não há uma só coisa em todo o rol das nossas necessidades que não tenha um suprimento entesourado para nós em Cristo. Ele é o tesouro dos Céus - a casa de provisão de Deus; e tudo isto, para nós.

Por que, pois, recorrer aos outros? Por que ir com as nossas necessidades, direta ou indiretamente, a algum pobre mortal? Por que não ir diretamente a Jesus? Precisamos de alguém que sinta conosco? Quem pode partilhar a nossa dor como o nosso misericordioso Sumo Sacerdote, que Se compadece das nossas fraquezas? Precisamos de auxílio de qualquer espécie? Quem pode ajudar-nos como o nosso onipotente Amigo, o Possuidor de insondáveis riquezas? Queremos conselho ou direção? Quem o pode dar como Aquele que é a própria sabedoria de Deus, e que "para nós foi feito sabedoria"? Oh, não magoemos o Seu amoroso coração nem desonremos o Seu glorioso nome, correndo a outras fontes! Vigiemos zelosamente contra a tendência tão natural em nós de acariciar esperanças humanas, confiança em criaturas e expectações terrenas. Fiquemos ali junto da Fonte, e nunca teremos de nos queixar das fontes humanas, que se secam; e assim glorificaremos a Deus em nosso dia e em nossa geração.

 

C.H.Mackintosh em Notes on the Book of Deuteronomy

 

 

 

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