© 2013 Publicações ocasionais com vistas à edificação do povo de Deus. Artigos na maioria traduzidos e usados com permissão, ou em domínio público.

AS DUAS NATUREZAS DO CRENTE

03.06.2018

Em certas porções das Escrituras, especialmente em Romanos 6:1-2 e 8:3 e em I João 1:8-10 e 2:2, há uma importante distinção entre dois usos da palavra pecado, que serão óbvios se recordarmos que essa palavra se refere algumas vezes à natureza adâmica, e outras, ao mau resultante dessa natureza. O pecado como uma natureza é a raiz dos pecados que cometemos. Pecado é a raiz que produz seu próprio fruto em pecados que são os nossos malfeitos. Pecado é o “velho homem”, enquanto pecados são as suas manifestações em nossa vida diária. Há abundante testemunho bíblico quanto ao fato de que a “carne”, o “velho homem” ou “pecado” são a fonte do mal e estão na vida do filho de Deus enquanto ele estiver vivo no próprio corpo.

 

Mas os crentes tem um bendito tesouro na possessão do “novo homem” como morador; mas eles tem este “tesouro em vasos de Barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós”. 2 Coríntios 4:7 e “que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a  si  todas  as  coisas”.  Filipenses 3:21 A personalidade – o ego – mantem sua total individualidade ao longo de toda sua vida terrena, embora experimente o maior avanço possível na transformação e regeneração do seu estado de perdição em Adão para o de perdoado, justificado e salvo nas posições e possessões inerentes de um filho de Deus em Cristo. O que estava perdido foi perdoado, justificado e salvo e recebeu a nova natureza divina que é a vida eterna. Embora nascido de Deus e possuidor de uma nova natureza divina, a debilidade da carne e a disposição da natureza pecaminosa, ou melhor, do “velho homem”, continuam presentes até a mudança final de residência desta terra para o céu.

 

Em 1 João 1:8 e 10 se faz uma clara advertência contra qualquer presunção de que com o novo nascimento deixamos de pecar. Em primeiro lugar se adverte aos cristãos que suponham não ter mais a natureza pecaminosa: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. Esta é distintivamente uma palavra que concerne à natureza pecaminosa do crente e que de modo algum tem aplicação aos perdidos. É dirigida aos crentes, e a todos os crentes. Não devemos supor também que na passagem se faça referência apenas a uma classe de cristãos desafortunados, ignorantes ou não santificados.

 

Aqui não Há distinção de classes, sejam quais forem. É o testemunho do Espírito de Deus com referência a toda pessoa regenerada. Se alguém disser que não tem natureza pecaminosa significa que esse tal se engana a si próprio e a verdade não está nele. Evidentemente, a passagem se propõe corrigir aos crentes que proclamam estar livres do pecado inato e possam até acreditar que de fato o estão. Uma mente auto-satisfeita não é necessariamente a mente de Cristo. Na mesma passagem se diz também que os crentes não devem afirmar que não têm pecado, sendo os pecados um fruto da “velha natureza”: “Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós”. 1 João 1:10 Outra vez, isto não é dito com relação a certa classe de cristãos não consagrados, mas é algo concernente a todos nós, crentes verdadeiros.

 

Alijar-se do claro ensinamento dessa passagem corretiva é “fazer a Deus mentiroso” e descobrir que a “Sua palavra não está em nós”. A fonte pecadora é nossa “velha natureza” e não a “nova natureza” adquirida graciosamente quando aceitamos ao Senhor Jesus como nosso Salvador. Na mesma Epístola, um pouco mais adiante, lemos que agora os cristãos não praticam mais o pecado ilegalmente como o faziam antes do “novo nascimento”, mas também ensina que não pode adjudicar-se o pecado à “nova natureza” como sua fonte: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus”. 1 João 3:9

 

A passagem não ensina que os cristãos não pecam, nem mesmo que alguns poucos não o fazem, não havendo aqui nenhum registro de uma classe de crentes especiais. O que se diz é que todos foram “engendrados de Deus". Nas Escrituras se ensina muito mais, pois havendo duas naturezas no crente, há um conflito entre a “nova natureza” que é operada pelo Espírito e, a “velha natureza” que trabalha através da carne. “Digo pois: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro para que não façais o que quereis”. Gálatas 5:16-17

 

A luta contínua entre as duas naturezas dos cristãos, a seguir com as anotações entre parênteses, expressam bem o conflito  oposto pelo  novo ego  ao  velho ego: “Porque  o  que  faço  (na  velha  natureza)  não  o aprovo (na nova natureza);  pois o que quero (na nova natureza) isso não faço (na velha natureza), mas o que aborreço (na nova natureza) isso faço (na velha natureza). E, se faço (na velha natureza) o que não quero (na nova natureza), consinto com a lei (a vontade de Deus para mim) que é boa. De maneira que agora já não sou eu (na nova natureza) que faço isto, mas o pecado que habita em mim (na velha natureza). Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne não habita bem algum (na velha natureza); e com efeito o   querer está em mim, mas não consigo realizar (na nova natureza), mas  não  consigo realizar o  bem (na nova natureza). Porque não faço o bem que quero (na nova natureza), mas o mal que não quero esse faço. Ora se eu faço (na velha natureza) o que não quero, já não o faço eu (na nova natureza), mas o pecado que habita em mim (na velha natureza). Acho então esta lei em mim, que quando quero fazer o bem (na nova natureza), o mal está comigo (na velha natureza). Porque, segundo o homem interior (na nova natureza), tenho prazer na Lei de Deus (na nova natureza); Mas vejo nos meus membros (na velha natureza) outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, (na nova natureza que se deleita na lei de Deus) e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros (na velha natureza). Miserável (cristão) homem que eu sou! Quem me livrará do corpo  desta  morte?  Dou  graças  a Deus  por  Jesus  Cristo  nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado”. (Romanos 7:15-25)

 

Mas o Espírito nos liberta da velha natureza: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida,  em  Cristo Jesus,  me  livrou  da  lei  do  pecado  e  da  morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo  a  carne, mas  segundo  o   Espírito”. (Romanos  8:1-4) 

 

Concluindo:  “Mas  em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor". (Romanos 8:37-39)

 

Texto adaptado de TEOLOGIA SISTEMÁTICA de Lewis Sperry Chafer

Please reload

Destaque

CONSULTANDO JESUS

23.08.2017

1/10
Please reload

Tags