© 2013 Publicações ocasionais com vistas à edificação do povo de Deus. Artigos na maioria traduzidos e usados com permissão, ou em domínio público.

O REMÉDIO PARA O PECADO

05.06.2018

A doutrina bíblica sobre o pecado do crente é especialmente relegada a uma condição secundária pois, nestes ÚLTIMOS DIAS DA IGREJA, a maioria dos ministros evangélicos estão perdendo sua capacidade de servirem como médicos de almas por não discernirem, sob a direção do Espírito Santo, a relevância do ensino da doutrina do pecado aos crentes para os quais pregam, que sem esse aprendizado ficam cada vez mais suscetíveis à contaminação pela gravíssima moléstia espiritual causada pelos seus pecados. 

 
Na realidade, qual é o cristão que, por sua conta própria, tem a capacidade de perceber seu envolvimento na batalha, como estão todos sem exceção, contra o mundo, o demônio e a carne? E mais, que por causa dessa alienação sujeita-se, na maior parte de sua vida terrena, a um terrível estado de deterioração espiritual? Até mesmo o ministro de Deus, ou o médico de almas, não escapará desse conflito e sofrerá constantes apuros ao ignorar as verdades essenciais reveladas pelo Espírito Santo com respeito ao pecado do cristão e ao remédio divinamente provido, de tal modo que não poderá diagnosticar nem mesmo o seu próprio distúrbio e muito menos aplicar a cura ao seu coração ferido.

 

Assim, nestes atribulados dias de hoje, cabe não só ao pastor, mas também a todos os crentes espirituais, ou seja, aqueles que agem verdadeiramente sob a direção do Espírito Santo, a primeira responsabilidade de ensinar aos demais crentes, a aqueles que  mesmo  "devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido", Hebreus 5:12, para que vocês mesmos possam diagnosticar seus próprios conflitos e aplicar inteligentemente a cura divina a seus próprios corações feridos, que então poderão assimilar perfeitamente a doutrina bíblica sobre o pecado, pois, "o alimento sólido é para os adultos, os quais tem, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal". Hebreus 5:14
 
A Bíblia não propõe nenhuma intervenção de sacerdotes, à maneira da confissão auricular da Igreja Católica, para os filhos de Deus. Propõe sim que cada crente seja instruído, que seja mestre e que tenha um ministério digno no que dependa dele, no campo da verdade que concerne ao progresso espiritual, ao poder, à oração e à força espiritual dos redimidos de Deus que, em comunhão, mediante a simples e permanente confissão de pecados passam a contar com todo o cuidado espiritual do Espírito de Deus, em Sua Plenitude. A maldição do pecado na experiência espiritual e no serviço cristão é realmente trágica, mas é muito mais trágica quando tanto o pastor como a sua grei ignoram os aspectos elementares dos passos que devem ser dados para sua cura, os quais foram divinamente definidos e revelados. 
 
O pecado pessoal é sempre igualmente perverso e condenável tanto nos salvos como nos perdidos e não foi provido em nenhum caso outro remédio que não seja o sangue absolutamente eficaz de Jesus Cristo. Os não regenerados “tem redenção” por meio do sangue de Cristo, ou seja, o sangue foi derramado e se espera que o pecador se aproprie da sua aplicação transformadora e salvadora. Por outro lado, está escrito com respeito aos cristãos: “Mas se andamos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo seu Filho nos limpa de todo pecado”. I João 1:7 

   
Assim, enquanto o cristão está andando na Luz tem comunhão com o Pai e com seu Filho e perpétua limpeza mediante o sangue de Cristo. É evidente que a limpeza depende do andar em comunhão, mas temos que compreender, para que não haja distorção da doutrina, que Andar na Luz não é estar sem pecado, pois isso seria chegar a ser a luz. Andar na luz é meramente responder à luz e ser guiado por ela. E Deus é Luz. Na prática, quando a luz, que é Deus, brilha no coração, o mal é julgado e posto fora pelo poder de Cristo e por sua graça, conforme é revelado em I João 1:9  “Se confessamos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados, e limpar-nos de toda maldade”
 
O sangue de Cristo tem que ser aplicado e isto sucede toda a vez que o crente confessa seus pecados a Deus. Sem dúvida, embora o pecado seja sempre sumamente perverso, sua única cura é mediante o sangue de Cristo e, a acusação e o consequente método pelo qual Deus trata o pecado do cristão por causa de sua relação básica com Ele é completamente diferente da acusação que Deus tem contra o pecado do incrédulo e do seu remédio, pois este, o não regenerado, na realidade não tem qualquer relação com Deus.

 

O perdão divino do pecado para os homens não regenerados está à disposição deles somente quando aceitam, total e cabalmente, as trinta e tres obras divinas reveladas como as riquezas da graça, entre as quais está incluído o perdão. Esta maravilhosa realização representa a incomensurável diferença entre os salvos e os não salvos. A bíblia distingue com grande clareza os dois métodos que Deus emprega para enfrentar-se aos pecados destas duas classes de pessoas: “E ele é a propiciação por nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. I João 2:2

 

Sem discussão, a passagem acima estabelece um contraste entre os nossos pecados, expressão que não pode referir-se a aqueles da massa de seres humanos não regenerados, e os de todo o mundo. Esta distinção inclui muito mais do que os pecados da parte regenerada da humanidade, constituindo uma grande revelação também para os não regenerados, afirmando que, por causa da morte de Cristo, Deus lhes é agora propício. 


Mas quem pode medir o consolo que há para o crente quebrantado quando ele descobre que o pecado que o seu coração tanto deplora Cristo já o levou sobre Si, e que Deus, baseado numa justiça maior, é propício para os sofrimentos dos santos? Essa é uma propiciação tão certa que os braços do Pai estão abertos para receber ao cristão que, como o filho pródigo, regressa a Ele, para confessar-lhe sem reservas seu pecado. Deve recordarse que segundo a infinita exatidão das Escrituras, o pai beijou ao filho pródigo antes que ele começasse a fazer qualquer confissão. 
 
Assim, é revelado que o Pai é propício a seu filho pecador mesmo que o filho ainda não mereça, seja por arrependimento, retribuição ou confissão. É uma lástima que ainda persista no meio evangélico que seja preciso abrandar o coração de Deus com lágrimas! Quão maravilhosa é a segurança de que Cristo já é a propiciação por nossos pecados! Vale aqui ressaltar que os primeiros cinco capítulos de Romanos nos revelam a posição do mundo não regenerado diante de Deus e estabelecem a base da graça salvadora do Evangelho de Deus. Por outro lado, os capítulos seis a oito do mesmo livro se dirigem aos nascidos de novo e se relacionam com o problema do andar do cristão e com as provisões divinas para o mesmo
 
O problema do pecado, no que concerne ao crente em Jesus Cristo, não é abordado nos primeiros cinco capítulos, como também não se acha nenhuma referência à salvação dos cristãos nos capítulos seis a oito dessa mesma epístola. Similarmente, as partes exortatórias de todas as epístolas são dirigidas aos que são salvos. Não poderia haver exortações aos não salvos, posto que o que há pendente entre Deus e eles não é o progresso de sua vida espiritual, mas sim a necessidade de que os incrédulos recebam o dom da salvação em Jesus Cristo, o qual não está condicionado a obras nem a méritos humanos de nenhuma classe, mas dependem somente da fé salvadora em Cristo
 
No caso do crente, em contraste com o não regenerado, a possibilidade de pecar cresce grandemente. Como o cristão chegou ao conhecimento da verdade, quando peca ele se rebela contra uma Luz superior, já que em sua nova relação com Deus, seu pecado contra Ele é da mesma classe de maldade que comete um filho contra seu pai. Deve considerar-se também que ao cristão, posto que é um cidadão do céu, é peremptório que ande com a dignidade que demanda essa suprema vocação e a norma ideal é a de ser como Cristo. “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”. Filipenses 1:21 “Haja, pois, em vós este sentimento que houve em Cristo Jesus”. Filipenses 2:5 “Mas vós sois linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua luz admirável”. 1 Pedro 2:9 Tais normas são completamente incompreensíveis para aqueles que não nasceram de novo e integram este mundo ou cosmos. 

 
É razoável, entretanto, que essas exigências, impossíveis para a capacidade humana, sejam cobradas aos cristãos, pois a eles foi dado o Espírito Santo cujo poder está desde o novo nascimento, sempre à disposição deles. Mas o perigo de um possível fracasso também está presente e, como indicam as Escrituras, é realmente muito grande. De qualquer forma, para estes que são dirigidos pelas Escrituras quanto ao seu modo de viver, está escrito:
 
“Refutando argumentos, e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo o pensamento à obediência a Cristo”. II Corintios 10:5 “...para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável”. I Pedro 2:9 “Dando sempre graças por tudo ao Deus e Pai, no nome do nosso Senhor Jesus Cristo”. Efésios 5:20 “...vos rogo que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados”. Efésios 4:1 “...andemos na luz”. I João 1:7 “...andai em amor”. Efésios 5:2 “Andai no Espírito”. Gálatas 5:16 “E não contristeis o Espírito Santo de Deus”. Efésios 4:30 “Não apagueis o Espírito” I Tessalonicenses. 5:19 
 
A maior responsabilidade na vida diária e no serviço, por causa da posição exaltada que o crente tem em Cristo, implica que na experiência cotidiana o cristão necessita do constante recurso do perdão, para poder restaurar-se mediante a graça e manter a comunhão com Deus. Em reconhecimento a essa necessidade imperativa, a Palavra de Deus apresenta seu amplo ensinamento com respeito ao remédio para o pecado do crente cristão, uma doutrina que não tem paralelo dentro da verdade correspondente aos que não são regenerados

 
Nessa direção, impõe-se aos crentes em Jesus Cristo, por causa de sua posição e de suas relações, que reconheçam a necessidade de estarem sempre revestidos com a armadura de Deus, aptos para assim enfrentarem o inexorável conflito contra o mundo, contra a carne e contra o diabo, sendo de suprema importância que o filho de Deus esteja perfeitamente inteirado do alcance e do poder de cada uma destas poderosas e maléficas influências. 
 
“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder, Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo: porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia do mau, e depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade, e vestindo-vos com a couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. Efésios  6:10-17
 
                              Texto adaptado de Teologia Sistemática de Lewis Sperry Chafer

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